Após meses com discurso mais comedido e a derrota significativa no Senado pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF, o presidente Lula intensificou ações para ganhar fôlego político na pré-campanha à reeleição. Nos últimos dias, o governo anunciou medidas de caráter popular e buscou visibilidade internacional com encontro em Washington, numa tentativa clara de resgatar agenda positiva e neutralizar o desgaste institucional.
Entre as medidas, a revogação da chamada 'taxa das blusinhas' — criada no próprio governo e impopular junto a parcela do eleitorado que compra no exterior — foi apresentada como vitória política da área política do Planalto. A decisão também expôs dissensos internos: integrantes da área econômica, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, manifestaram resistência à revogação, destacando o custo político versus custo fiscal e técnico das decisões.
Na esteira da volatilidade dos preços do petróleo, o Executivo anunciou ainda uma subvenção de até R$ 0,89 por litro de gasolina para segurar reajustes que pressionam a inflação. O custo estimado para as contas públicas pode alcançar R$ 2,4 bilhões, um aperto no discurso de responsabilidade fiscal que o governo tenta preservar. Aliados do presidente justificam as medidas como capazes de influenciar eleitores no curto prazo, desde que a comunicação seja eficaz — um ponto que Lula tem cobrado internamente.
No plano externo, a visita à Casa Branca e o encontro com Donald Trump foram comemorados pela equipe presidencial como ganho de imagem e reforço da capilaridade diplomática do governo. A recepção também teve efeito político doméstico: auxiliares avaliam que a visita isolou parte da narrativa oposicionista que tentava colar Lula a adversários internacionais. Paralelamente, o escândalo envolvendo o Banco Master atingiu o centro do grupo político rival, com busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira e a divulgação de áudio em que Flávio Bolsonaro aparece em pedido de recursos, fatos que os petistas passaram a explorar em sua mensagem.
O conjunto de ações mostra uma estratégia dupla: mitigar perdas imediatas nas pesquisas — nas quais Lula manteve avaliação de governo estável e seguia em empate técnico em levantamentos recentes — e capitalizar fragilidades da oposição. Resta saber, porém, se medidas de caráter conjuntural e custo fiscal serão suficientes para alterar tendências, especialmente diante de fricções com o Senado e da necessidade de comunicação mais efetiva para transformar anúncios em apoio eleitoral sustentado.