O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito neste domingo, vencendo o senador Flávio Bolsonaro com 51,76% dos votos válidos contra 48,24%, com 99,87% das urnas apuradas. O resultado, projetado por instituto e confirmado pelo TSE no início da noite, sela um feito inédito: é o primeiro quarto mandato presidencial na história do país.
A disputa foi marcada por alternância de liderança e alta polarização. Lula começou atrás do adversário após o primeiro turno, mas alcançou quase cinco milhões de votos a mais no segundo turno — revertendo uma desvantagem de 2,2 milhões. A redução da abstenção, de 21,08% no primeiro turno para 19,11% agora, e o desempenho superior no Nordeste e em Minas Gerais foram centrais para a virada.
O dia eleitoral também teve episódios de tensão institucional: o Supremo adiou por duas horas a votação após reclamações sobre restrições ao transporte público, e a prorrogação do horário de votação foi determinada por um dos ministros, em medida que provocou questionamentos públicos e reações de bolsonaristas. Ministros de cortes superiores descartaram, porém, a hipótese de anulação do pleito.
Politicamente, o resultado acende alerta para a oposição e complica a narrativa do bolsonarismo, que apostou no antipetismo. Para o novo-velho governo, a margem relativamente curta e o eleitorado dividido representam limitação de capital político: haverá pressão por resultados rápidos, disciplina fiscal e capacidade de articulação, enquanto a oposição terá de repensar tática e alvo para 2026.