Monique Medeiros, ré no processo pelo homicídio do filho Henry Borel, se entregou à Polícia Civil do Rio nesta segunda-feira (20) e voltou à prisão, numa reviravolta determinada pelo Supremo. A professora sempre negou qualquer participação na morte do menino, ocorrida em março de 2021, mas a acusação sustenta que mensagens e arquivos do celular dela indicam conhecimento de agressões praticadas pelo então namorado, o vereador Jairo de Souza, o Jairinho.

O retorno à custódia foi motivado por decisão do ministro Gilmar Mendes, relator do caso no STF. Mendes entendeu que, durante o regime de prisão domiciliar, Monique teria praticado atos capazes de intimidar testemunhas — em especial a babá — e, assim, comprometido a regularidade da instrução. O ministro rejeitou recurso da defesa e manteve a prisão preventiva antes da retomada do julgamento, citada para 25 de maio.

O processo tem episódios que alimentam a suspeita dos investigadores: relatos de que a mãe foi avisada sobre agressões, a compra de uma câmera que não foi instalada, a ida à delegacia acompanhada do então namorado e cuidados com aparência no velório e no depoimento. Jairinho, principal acusado, também nega responsabilidade; seu júri foi suspenso em momento anterior quando a defesa deixou o plenário.

Além do aspecto penal, o caso tem repercussão institucional e legislativa: a comoção levou à chamada Lei Henry Borel, que ampliou mecanismos de proteção a crianças e aumentou penas para homicídios no âmbito doméstico. A decisão do STF reacende o debate sobre a segurança das testemunhas, o ritmo das investigações e a necessidade de respostas claras do Judiciário a um crime que provocou forte indignação pública.