Novo recorte da pesquisa Genial/Quaest, divulgado nesta quinta, aponta que 51% dos entrevistados consideram mais plausível a versão do presidente Lula de que o senador Flávio Bolsonaro teria apoiado a imposição de tarifas americanas com o objetivo de prejudicar o governo federal. Apenas 30% dizem acreditar na versão do senador, que nega e afirma ter pedido a autoridades dos EUA que não taxassem o Brasil. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de julho; margem de erro máxima de 2 pontos e registro no TSE BR-07181/2026.

O estudo também mostra que 62% dos entrevistados estavam cientes, na época da pesquisa, do anúncio das sobretaxas em análise pelo governo americano. Quase metade (49%) concorda com a leitura de Lula de que as medidas seriam retaliação ao Pix; 33% concordam com Flávio ao apontar que as taxas seriam reação a declarações do presidente. Além disso, 63% dizem acreditar que as tarifas podem prejudicar a vida deles ou de suas famílias.

Os números têm reflexo direto no tabuleiro eleitoral: 42% afirmam que a proposta de sobretaxa os deixa mais inclinados a votar em Lula, ante 27% que dizem o mesmo sobre Flávio. O PT já planeja intensificar ataques, usando o rótulo que vem associando ao senador; por sua vez, Flávio publicou nas redes que a responsabilidade é do presidente. Esse empate entre narrativa pública e defesa do acusado coloca o pré-candidato do PL em posição defensiva e eleva o custo político da disputa.

A pesquisa é um retrato do momento, não uma previsão definitiva, mas sinaliza desgaste e abre espaço para que adversários explorem o tema na campanha. Diante da confirmação posterior das tarifas pelos EUA, os números reforçam a necessidade de reação estratégica do entorno de Flávio e indicam risco de ampliação do dano político nas próximas semanas.