A Rede Nossa São Paulo e o Instituto Cidades Sustentáveis vão divulgar atualização do Mapa da Desigualdade, instrumento anual que reúne 50 indicadores para os 96 distritos da capital. O levantamento confirma um contraste brutal: distritos centralizados e bem servidos convivem com territórios onde faltam recursos básicos, e essa divisão aparece com clareza nas áreas de saúde e cultura.
Entre os dados mais incisivos estão a diferença de 20 anos na idade média ao morrer entre extremos da cidade e indicadores de mortalidade materna e infantil que variam muito por distrito. De 2022 a 2024, 38 distritos não registraram mortalidade materna — enquanto Anhanguera, na zona norte, aparece com 155 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos, quase três vezes a taxa média do Brasil (50/100 mil). Outros 23 distritos superam a média nacional, e índices como gravidez na adolescência e cobertura de pré-natal reforçam o abismo.
A leitura do mapa deixa claro que não se trata apenas de desigualdade econômica, mas de falhas persistentes de políticas públicas e gestão. Infraestrutura, acesso à saúde de qualidade, educação e habitação são determinantes que, combinados, elevam risco e custo social em bairros vulneráveis. A manutenção desse quadro implica impacto econômico direto — maior gasto com emergência, perda de produtividade e agravamento de vulnerabilidades sociais — e também custo político para gestores que não alterarem prioridades.
O relatório aponta caminhos óbvios: mais investimento direcionado aos distritos mais fragilizados e descentralização da administração, com subprefeituras dotadas de autonomia e participação social efetiva. Nesse ponto, o mapa acende um alerta: entra governo, sai governo, a desigualdade persiste. Reconhecer o problema é condição mínima; sem mudança estrutural na gestão municipal e foco orçamentário, a capital continuará reproduzindo, na prática, o que o país representa teoricamente: riqueza agregada e exclusão interna.