A jornalista e escritora Marcella Franco estreia 'Solo' (Bazar do Tempo), livro que combina memória e autoficção para relatar a experiência de criar um filho sem um parceiro presente. O relato alterna a perspectiva da autora com a do menino, mostrando o cotidiano de uma criação monoparental que oscila entre tensão, afeto e dúvidas sobre ser 'suficientemente boa'.
Franco, ex-editora dos cadernos Folhinha e Folhateen da Folha, usa episódios pessoais — como a rotina escolar e as celebrações em que ela era a única mãe presente — para discutir a logística emocional e prática da maternidade solo. As ilustrações de Paula Schiavon ajudam a modular o tom entre intimidade e leveza, enquanto a autora reconhece dificuldades e comparações com outras realidades mais austeras.
O lançamento ocorre neste sábado (25), às 15h, na Livraria da Tarde, em Pinheiros, com debate entre Marcella e a psicanalista Vera Iaconelli. O livro ganha relevância num país em que dados do IBGE de 2024 apontam que cerca de 3 em cada 10 lares são chefiados por mulheres que criam filhos sozinhas — quase 11 milhões de pessoas —, colocando a obra no centro de uma discussão social maior sobre arranjos familiares.
Além do testemunho pessoal, 'Solo' dialoga com pesquisas recentes sobre o impacto das redes sociais: estudos apontam que a exposição a padrões idealizados de maternidade pode prejudicar a saúde mental de mães de primeira viagem, ampliando ansiedade e insegurança. A obra de Franco, ao misturar ficção e memória, busca oferecer um retrato cotidiano que resgata o potencial de reciprocidade entre mãe e filho sem recorrer ao tom moralizador.