A recente pesquisa Datafolha indica que as revelações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro produziram um impacto real, porém limitado, nas intenções de voto do senador. No segundo turno, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio —queda de dois pontos em relação ao empate anterior— e, no primeiro turno, a vantagem do petista sobre o filho do ex-presidente subiu de 3 para 9 pontos percentuais. São sinais de desgaste que não, contudo, apontam para substituição imediata do candidato mais competitivo à direita.

O resultado expõe uma contradição política: a cobertura sobre o caso Master e as visitas reveladas do ex-banqueiro a Flávio (reportadas pelo Metrópoles) ampliaram suspeitas e desgaste de imagem, especialmente diante de omissões e versões inconsistentes, mas não lograram diluir de imediato a base de apoio bolsonarista. Comparado a outros nomes do campo conservador —Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que aparecem bem atrás em simulações— Flávio mantém desempenho superior e um eleitorado fidelizado, o que limita a eficácia imediata das denúncias em deslocar votos em massa.

Para o governo e para Lula, os números oferecem leitura mista. O petista não registra ganho expressivo de intenção de voto nem queda significativa de rejeição; a polarização segue viva e os votos leais de cada lado preservam o mapa eleitoral. Ao mesmo tempo, a avaliação de governo mostra leve melhora: o saldo negativo entre avaliações ruins e boas caiu de 11 para 6 pontos percentuais, um movimento discreto que pode refletir medidas pontuais de impacto eleitoral —mas insuficiente para alterar drasticamente a corrida.

Politicamente, o cenário aumenta a pressão sobre a campanha de Flávio: além da necessidade de resposta clara às suspeitas, há o risco de novos episódios virem a público nos meses que antecedem a campanha oficial. A oposição ganha munição para explorar contradições em debates, inserções e redes, enquanto aliados do bolsonarismo enfrentem dilemas sobre custo político e visibilidade. Ainda assim, a pesquisa reforça que a volatilidade é limitada por fatores estruturais da polarização brasileira.

Em suma, o levantamento acende alerta para a campanha de Flávio ao transformar relatos e omissões em custo político mensurável, mas também mostra que o teto de rejeição e a fidelidade de parcela do eleitorado preservam sua competitividade. Resta ao núcleo do senador mitigar efeitos, apresentar narrativa crível e evitar que novas revelações convertam desgaste moderado em declínio irreversível.