Dados obtidos pela CPI e por apuração jornalística mostram que o banco Master realizou pagamentos de pelo menos R$ 126,6 milhões à Midias Promotora LTDA entre 2022 e 2025. O sócio-administrador declarado da empresa, Gilson Bahia Vasconcelos, é réu em processo que o Ministério Público do Rio de Janeiro descreve como esquema de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS, a maioria idosos.

A Folha identifica contradições entre o perfil da empresa e os valores repassados: a Midias foi aberta em 2020 com capital social de R$ 1 milhão, tem dívida ativa de R$ 12,5 milhões com a União, atividade principal como correspondente bancária e endereço que não condiz com patrimônio declarado do sócio. Em 2024, quando a maior parte dos pagamentos (cerca de R$ 96 milhões) foi registrada, o empresário chegou a ficar preso preventivamente por quase um mês no inquérito sobre o golpe do call center.

O banco classificou os lançamentos como pagamentos por serviços, mas a assessoria de Daniel Vorcaro não respondeu quais atividades justificaram os repasses nem se o compliance detectou riscos no histórico do prestador. A defesa de Bahia Vasconcelos afirma que ele é inocente e que as movimentações ocorreram dentro da legalidade — argumento que ainda não foi comprovado publicamente por documentos que expliquem a escala dos contratos.

Além do potencial dano reputacional, o caso levanta questões práticas: é o terceiro maior repasse do Master no período, segundo dados da Receita enviados à CPI, e expõe fragilidades na due diligence sobre terceiros, inclusive no uso de estruturas como SCPs, que podem reduzir transparência. Para além do aspecto penal, as transações põem pressão política sobre o banco e reforçam a necessidade de esclarecimentos a reguladores e ao mercado.