Dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (17) mostram que a máquina de lavar roupa está presente em apenas 42,6% dos domicílios do Nordeste em 2025, contra 72,1% da média nacional. A região é a única grande área do país com menos de metade das casas equipadas com o eletrodoméstico, um indicador que reforça diferenças históricas entre as regiões brasileiras.
Ao detalhar o panorama regional, a Pnad Contínua aponta que o Norte registrou 60% dos lares com máquina de lavar; Sul, 91,6%; Centro-Oeste, 83,5%; e Sudeste, 83,1%. Desde 2016 houve avanço em todo o país: a presença do aparelho subiu 9,1 pontos percentuais no Brasil e 9,6 pontos no Nordeste — melhora, mas insuficiente para reduzir a distância. Três estados nordestinos ficaram abaixo de 40% em 2025: Maranhão (33,4%), Piauí (35,8%) e Alagoas (39,9%).
A pesquisa também mapeou outros bens: carro estava em 49,1% dos endereços e motocicleta em 26,2%. O Sul lidera na posse de automóveis (68,3%), mais que o dobro do Nordeste (30%) e do Norte (31%). Já as motos predominam no Norte (39,5%) e no Nordeste (34,5%), refletindo padrões de renda e acesso ao transporte mais barato, segundo analistas do IBGE. A geladeira segue quase universal, presente em 98,4% dos lares.
Os números expõem não apenas uma diferença de consumo, mas um nó estrutural: a baixa difusão de um bem doméstico que reduz trabalho manual e melhora condições de higiene sinaliza desigualdade de condições de vida. Embora o crescimento na década seja real, ele é tímido diante das carências históricas do Nordeste e acende alerta para gestores públicos — que enfrentam a necessidade de políticas focalizadas, acesso a crédito e investimentos que aumentem o poder de compra e reduzam disparidades regionais.