A projeção do mercado para o IPCA, referência oficial da inflação, subiu de 4,36% para 4,71% em 12 meses, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira. É a quinta semana consecutiva de alta nas expectativas e o número ultrapassa o teto do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional (meta central de 3% com margem de ±1,5 p.p.).
Analistas apontam a escalada das tensões no Oriente Médio e pressões em itens voláteis como transportes e alimentação como fatores recentes de aceleração. O IBGE mostrou que o IPCA de março foi 0,88% — ante 0,7% em fevereiro — e o índice acumulado em 12 meses ficou em 4,14%, reforçando o movimento observado pelos mercados.
O comportamento da inflação reacende o debate sobre a trajetória da taxa básica de juros. A Selic está em 14,75% ao ano após redução de 0,25 ponto percentual na última reunião do Copom, mas o ciclo de cortes, que havia começado a ser desenhado, passou a enfrentar incertezas. O colegiado se reúne nos dias 28 e 29 de abril. No Focus, a Selic prevista ao fim de 2026 permanece em 12,5% e segue em declínio gradual nos anos seguintes.
Além da inflação, o boletim manteve a estimativa de crescimento do PIB para este ano em 1,85% e ajustou levemente projeções de preço e juros futuros; a cotação do dólar projetada para o fim do ano está em R$ 5,37. Para o governo e para os mercados, o rompimento do teto de tolerância torna mais caro adiar reações: aumenta a probabilidade de manutenção de juros mais elevados por mais tempo, com impacto sobre crédito, consumo e a recuperação econômica.