O dólar encerrou o dia praticamente estável, com leve queda de 0,01%, a R$ 4,992, mantendo-se abaixo dos R$ 5 pelo terceiro pregão consecutivo e perto do menor patamar desde 27 de março (R$ 4,980). Ao mesmo tempo, o Ibovespa devolveu parte dos ganhos recentes e caiu 0,46%, para 197.737 pontos, em um dia de maior aversão ao risco por parte de agentes locais.
No exterior, o cenário foi misto: bolsas europeias recuaram, com o Euro STOXX 600 e principais mercados do continente em baixa, enquanto os índices norte-americanos S&P 500 e Nasdaq subiram. Analistas lembram que o otimismo recente — que vinha favorecendo moedas de mercados emergentes, incluindo o real — começou a perder força diante da falta de fatos novos que sustentem a melhora do apetite por risco.
No front geopolítico, autoridades norte-americanas afirmaram que conversas com o Irã estão em andamento e há otimismo oficial sobre a possibilidade de um acordo, mas sem anúncios concretos. Paralelamente, representantes do Líbano e de Israel se reuniram em Washington para tratar de tensões na fronteira — encontro histórico, mas sem um cessar‑fogo formalizado — o que contribui para uma leitura cautelosa dos investidores.
Para o Brasil, o recuo do dólar recente reflete não só a expectativa global por menor risco, mas também o diferencial de juros que ainda torna ativos locais atraentes. Ainda assim, a deriva sem confirmação das negociações deixa o quadro frágil: qualquer renovação de tensão ou ausência de progresso pode reverter fluxos e pressionar Bolsa e câmbio, cobrando dos gestores públicos e do mercado uma vigilância sobre a volatilidade e seus efeitos sobre custo de financiamento e confiança.