A rejeição histórica do nome indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal reacendeu uma disputa interna no Planalto. Jorge Messias foi barrado na noite de quarta-feira por 42 votos contrários e 34 favoráveis, e aliados do presidente passaram a defender a demissão do atual ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, acusando-o de não ter atuado para garantir a aprovação do candidato.

No entorno do governo, há quem considere que a derrota expôs desgaste e falhas de articulação política — e que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, teria dado sinais contraditórios sobre o apoio dos parlamentares. Vídeos que circularam em grupos petistas, nos quais o presidente do Senado alertaria para a derrota e em seguida aparece em confraternização com Wagner, inflaram alegações de omissão e até de traição entre aliados.

A reação interna indica uma pressão por rearranjos: há defensores da transferência de Messias para o Ministério da Justiça, cargo que comanda a Polícia Federal, ou de sua permanência à frente da Advocacia‑Geral da União, opção que hoje divide o grupo governista. Procurado pela coluna, Jaques Wagner não respondeu às mensagens enviadas.

Além do custo político imediato para o presidente — foi a primeira rejeição de indicação presidencial ao STF desde 1894 —, a derrota sinaliza fortalecimento do Congresso sobre o Palácio do Planalto e amplia desgaste na condução de pautas sensíveis. Para aliados, a saída ou manutenção de ministros agora passa a ser analisada pelo prisma da capacidade de articulação e do efeito sobre a governabilidade até 2026.