Indicado pelo presidente Lula para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, o advogado‑geral da União Jorge Messias enfrenta nesta quarta‑feira a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, que começa às 9h, e a votação secreta no plenário do Senado. A aprovação exige 41 dos 81 votos — um placar que, segundo senadores, tende a ficar apertado diante da falta de sinalização pública do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

O Palácio do Planalto diz contar com cerca de 45 votos favoráveis, mas a ausência de um gesto de Alcolumbre sobrevive como obstáculo político. Para compensar, ministros e aliados passaram a negociar cargos em agências e a liberação de emendas, numa tentativa explícita de costurar apoios. Nos últimos dias houve mudanças na composição da CCJ para facilitar a tramitação, mas a tensão sobre quórum persiste, em especial numa semana com feriado.

A rejeição de Messias seria um revés simbólico e prático: a última derrota de indicação presidencial ao STF ocorreu em 1894. Para aliados de Alcolumbre, um eventual não seria prova de força do presidente do Senado e um recado sobre a necessidade de alinhamento prévio com a Casa. Governistas lembram que André Mendonça superou oposição similar no passado, mas a atual neutralidade do chefe do Senado é vista por integrantes do governo como um risco real.

Na reta final, Messias intensificou reuniões com senadores e se preparou para temas que podem surgir na arguição, que já duraram entre sete e 11 horas em indicações anteriores. O clima de incerteza — potencializado pelo voto secreto e pela possível ausência de senadores — torna a sessão um termômetro político: além de definir a vaga no STF, o resultado medirá o grau de influência de Alcolumbre e a capacidade do Planalto de entregar apoio em troca de concessões.