A ex-primeira-dama negou nesta sexta (24) ter pedido ao partido que vetasse a eventual candidatura do deputado Mário Frias (PL-SP) ao Senado por São Paulo. Em nota publicada nas redes sociais, Michelle disse que sua única intervenção foi solicitar, em momento anterior, que o partido incluísse o nome da deputada federal Rosana Valle em pesquisas internas.
A divergência instalada entre Michelle e Frias tem antecedentes públicos. Em abril de 2025, o deputado adotou discurso contrário a políticas de inclusão, o que motivou reação da ex-primeira-dama — que defende a pauta — e a publicação de um vídeo em repúdio às declarações do parlamentar. O episódio transformou a disputa pela vaga em conflito ideológico interno.
No jogo das siglas, o favorito tradicional é o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, enquanto corre por fora o vice-prefeito de São Paulo Ricardo Mello Araújo, com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas pouco entrosado no próprio partido. A decisão sobre o nome ficou nas mãos de Eduardo Bolsonaro, a quem Flávio delegou a responsabilidade; Valdemar Costa Neto e Prado já o visitaram nos EUA pelo menos duas vezes desde março para tentar viabilizar a candidatura do presidente da Alesp.
O confronto expõe uma fissura entre a família Bolsonaro e as lideranças do PL em São Paulo, e acende alerta sobre a capacidade do partido de fechar chapa em um estado chave. A negação pública de Michelle evita um confronto aberto, mas mantém a disputa sob pressão: a definição de Eduardo será crucial e terá consequências políticas para a unidade do partido e para as estratégias eleitorais regionais.