A Microsoft anunciou um programa inédito de saídas voluntárias nos Estados Unidos, direcionado a empregados cuja soma de idade e anos de serviço atinja 70. Cerca de 8 mil profissionais serão elegíveis — algo em torno de 7% da força de trabalho americana da companhia — numa medida sem precedentes em seus 51 anos de funcionamento.
A oferta chega depois de cortes recentes — incluindo mais de 15 mil demissões no ano passado — e em um momento de forte reconfiguração de recursos para projetos de inteligência artificial. A empresa também reafirmou um compromisso de investimento de US$ 140 bilhões em capital, ao mesmo tempo em que corre para ampliar capacidade de data centers para clientes como Anthropic e OpenAI.
Internamente, executivos reconhecem que o grupo ainda depende em larga medida de parceiros externos para modelos de ponta, e que o desenvolvimento próprio tem ficado atrás de concorrentes como o Google. O movimento se soma a um fenômeno maior no setor: rivais como Amazon, Oracle e Meta também reduziram quadros, e empresas como a fintech Block relataram cortes muito expressivos vinculados à adoção de IA.
Do ponto de vista político e de mercado, a iniciativa é dupla: tenta acomodar expectativas de funcionários de longa data com um pacote que a empresa chama de generoso, mas também sinaliza reequilíbrio de prioridades diante da pressão por eficiência e retorno sobre investimentos massivos em IA. As ações da Microsoft acumularam queda de cerca de 14% no ano, e a companhia divulgará resultados trimestrais na próxima semana — um momento que pode intensificar o escrutínio sobre sua estratégia.