Minas Gerais deixou de ser apenas um objetivo estratégico para se transformar em um problema concreto para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Ouvidos pelo centro do poder, aliados do centrão definem o estado como um terreno instável: não há palanque assegurado e as alternativas disponíveis oferecem custos políticos e eleitorais relevantes. Essa incerteza expõe uma fragilidade tática num estado considerado decisivo para a composição nacional de votos em 2026.
A hipótese de apoiar o atual governador Mateus Simões (PSD) encontra resistência por causa de desempenho fraco nas pesquisas e da dificuldade de empolgar o eleitorado de centro-direita. Um casamento com Simões também ficou mais complexo após a filiação do senador Carlos Viana ao PSD: a disputa pela segunda vaga ao Senado obrigaria o governador a optar entre o candidato do PL, Domingos Sávio, e Marcelo Aro (PP), o que pode esgarçar a costura política e afastar aliados. No PL, esse cenário é visto como promotor de tensão e perda de coesão.
Outra saída considerada é o apoio a Cleitinho (Republicanos), hoje competitivo em intenções de voto, mas visto por parte do PL como imprevisível e potencial concorrente da própria direita. Parlamentares como Nikolas Ferreira já desestimulam a aproximação, argumentando falta de alinhamento programático com as pautas bolsonaristas e risco de fortalecer um eventual rival. A convivência de um governador sem experiência de gestão em um estado com R$ 187 bilhões de dívida federal também representa um possível passivo reputacional caso um governo local falhe.
Diante desses entraves, cresce dentro do PL a inclinação por lançar uma candidatura própria ao governo de Minas. O nome que vem sendo discutido é o do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, apresentado como alternativa que preservaria a autonomia do partido. Mesmo assim, uma candidatura própria traz o desafio de estrutura e capilaridade regional — e pode fragmentar ainda mais o campo da direita, beneficiando nomes como Rodrigo Pacheco, que tende a concorrer com apoio do presidente Lula.
O quadro mineiro é, na avaliação interna do PL, um sinal de alerta que amplia desgaste e complica a narrativa de força nacional do projeto de Flávio Bolsonaro. A decisão sobre palanque em Minas exigirá equilíbrio entre custo imediato e benefício estratégico: uma escolha errada pode não só diluir votos no estado, mas também aumentar a pressão sobre a transferência de capital político em outras praças, forçando ajustes rápidos na estratégia eleitoral do partido.