Moradores da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, intensificaram desde outubro a mobilização contra o traçado previsto para a linha 16‑violeta do Metrô. Uma petição organizada pela Associação de Moradores da Vila Mariana (AVM) reúne cerca de 3.000 assinaturas e propõe que a estação prevista no miolo do bairro seja construída no atual estacionamento do Hospital Dante Pazzanese, em vez da área entre a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves e a rua Morgado de Mateus.
O plano original, com estudos encomendados à Acciona, prevê a linha com 16 estações ao longo de 19 km e capacidade estimada em 475 mil passageiros por dia até 2040. A Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) projeta investimento de R$ 37,5 bilhões e pretende lançar o edital de concessão no segundo semestre de 2026. A proposta dos moradores busca reduzir desapropriações — estimadas em cerca de vinte propriedades — e concentrar atendimento em pontos de demanda como o hospital, o Parque Ibirapuera e o colégio São Luís.
Além do desgaste local causado por possíveis remoções e pela presença de empreendimentos recentes, como um Oba Hortifrúti na área afetada, críticos apontam falhas na comunicação do processo: moradores da zona de desapropriação relatam não ter sido contactados durante as consultas. A AVM encomendou um relatório técnico de avaliação urbanística, que, segundo especialistas consultados, tem mérito no desenho urbano, mas não substitui os estudos de demanda e a engenharia que definirão o traçado final.
A SPI informou que as contribuições recebidas nas audiências públicas estão em análise e que a definição definitiva seguirá critérios técnicos, incluindo demanda e integração com a rede. Resta observar como a mobilização local e o relatório da comunidade vão se traduzir em mudanças práticas sem comprometer o cronograma da concessão — e se a promotora do projeto adotará um recuo técnico ou político diante da pressão por evitar desapropriações e desgaste no bairro.