O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação foi motivada por postagem publicada no X em 3 de janeiro, na qual o parlamentar imputou a Lula a prática de diversos crimes e associou o presidente a uma notícia falsa que envolvia a captura do líder venezuelano.
O pedido de investigação partiu da Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, que descreveu a publicação como atribuição pública e vexatória de fatos delituosos ao chefe do Executivo. Para a PGR, a natureza pública e o alcance da mensagem, acessível a milhares de usuários, justificam a apuração penal.
O episódio ganha contorno político relevante por ocorrer em momento de definição das candidaturas para 2026: Flávio foi indicado pelo clã Bolsonaro para representar a família após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. A investigação amplia o desgaste do bolsonarismo e complica a narrativa de confrontação que a campanha vinha tentando sustentar, ao deslocar o debate para acusações potencialmente ilícitas contra o presidente.
Em reação, o senador manteve as críticas a Lula, alegando que há documentação internacional que sustentaria suas afirmações e questionando a intenção do ministro ao acolher o inquérito. Flávio afirmou que não vai recuar diante da apuração, posicionamento que tende a transformar a ação judicial em mais um elemento de mobilização entre seus apoiadores.
O inquérito foi aberto no STF e seguirá a apuração dos fatos para verificar a ocorrência de calúnia. Além do desdobramento jurídico, o caso terá implicações políticas: força pressão sobre a candidatura de Flávio, demanda respostas públicas do PL e alimenta debate sobre limites entre crítica política e ilícito penal.