O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, atendeu a pedido da Polícia Federal e determinou a abertura de inquérito para apurar possível calúnia cometida pelo senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação decorre de uma postagem pública no X em que Flávio associou Lula a crimes atribuídos a terceiros, episódio que levou a PF a solicitar providências.

A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente à instauração do procedimento, apontando indícios de imputação pública de fatos delituosos ao chefe do Executivo. Moraes retirou o sigilo dos autos e deu prazo de 60 dias para que a Polícia Federal realize as diligências. No cerne da apuração está a linha entre discurso político agressivo e a imputação de crimes sem base, hipótese típica da figura de calúnia.

A decisão expõe uma contradição política para Flávio: sua tentativa de adotar um tom mais moderado na pré-campanha sofreu revés com a investigação, que já provocou reação de aliados e críticas sobre suposto cerceamento. A defesa do senador afirma fragilidade jurídica no pedido e invoca liberdade de expressão, além de tentar enquadrar a medida como repetição de práticas de censura associadas ao pleito de 2022.

Politicamente, o caso tende a inflamar a disputa ao redor do Supremo e a reforçar narrativas de confronto com a corte, sobretudo entre parcela do eleitorado que vê em Moraes atuação demasiadamente interventora. Para a campanha de Flávio, a investigação representa risco de desgaste e demanda resposta jurídica e eleitoral coordenada; para o Judiciário, é mais um teste de como lidar com alegações que transitam entre opinião pública e crime eleitoral.