O arquiteto Eduardo de Almeida, referência na formação de gerações de profissionais e docentes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, morreu aos 92 anos neste domingo (12). A família confirmou o falecimento; ele estava internado no Hospital Sírio‑Libanês e a causa não foi divulgada. Entre seus filhos está o fotógrafo Lalo de Almeida.

Formado pela FAU em 1960, Almeida dedicou mais de seis décadas à prática e ao ensino — lecionou na instituição entre 1967 e 1998 — e deixou um acervo profissional de mais de 250 projetos. Entre as obras mais conhecidas estão a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, realizada em parceria com Rodrigo Mindlin Loeb, os edifícios Gemini 1 e 2 em Moema, diversas residências de destaque e a sede do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) no campus da USP.

Conhecido pelo rigor técnico, Almeida frequentemente trabalhou contrastes: espaços claros e abertos voltados à vida universitária coexistem com fachadas que protegem e preservam acervos. Preferiu materiais como tijolo e chapas metálicas a um apego exclusivo ao concreto aparente, e declarou influências de Frank Lloyd Wright e Mies van der Rohe. Seu trabalho, mais discreto que monumental, buscou integrar‑se organicamente à cidade em vez de impor‑se como marco visual.

Além da obra construída, o legado inclui a formação de alunos, a documentação em livro publicado em 2023 e o documentário 'Arquiteto da Medida Justa', que registra seu método e visitas guiadas a projetos. Almeida deixa a mulher, Francesca, e cinco filhos. A morte do arquiteto torna mais visível o papel de profissionais cuja contribuição à paisagem urbana se dá pela medida correta e pela durabilidade, nem sempre traduzida em grande visibilidade pública.