Morreu aos 96 anos Estelinha Bezerra, conhecida como a 'rainha do batom vermelho'. Nascida em Jaguaribe (CE) em 5 de janeiro de 1930, passou a maior parte da vida em busca de melhores condições para a família e fixou-se em São Paulo em 1979. Casou-se em 1950, teve 17 filhos, 28 netos e uma descendência numerosa que sempre foi centro de sua narrativa pessoal.
A trajetória incluiu perdas duras — cinco filhos mortos — e problemas de saúde nos últimos anos: AVC em 2019, covid em 2020 que a levou a grave internação, e novos episódios neurológicos em 2023, incluindo um AVC isquêmico e, na sequência, uma embolia pulmonar. A recuperação foi marcada por sequelas, mas também por uma decisão de lutar pela vida que virou elemento central de sua história.
Aos 93 anos, incentivada pelo filho Josafá, Estelinha começou a gravar rotinas e memórias para as redes sociais. Em pouco tempo os vídeos diários a transformaram em fenômeno: milhões de visualizações, seguidores cativos e o bordão que a consagrou — 'eu, sem batom, não sou ninguém'. O batom vermelho passou a ser celebrado por ela como sinal de autonomia, irreverência e recusa ao apagamento das mulheres mais velhas.
A antropóloga Mirian Goldenberg, autora de 'A Invenção de uma Bela Velhice', publicou uma carta de despedida que reforçou o significado simbólico de Estelinha. A história dela põe em perspectiva temas como envelhecimento, visibilidade feminina e a potência das redes para dar voz a trajetórias normalmente marginalizadas. Estelinha deixa legado pessoal e cultural: a imagem de uma mulher que, em idade avançada, reencontrou público, propósito e alegria.