A Motiva, administradora de 17 aeroportos no país, acelerou a expansão de sua frente de cargas ao incluir dez rotas internacionais desde o ano passado. A mais recente, em 2026, foi a operação em Navegantes. Hoje a movimentação agregada da divisão chega a 70 mil toneladas por ano, fatia que representa cerca de 15% do negócio de aeroportos da companhia.
A escolha de Navegantes como novo destino internacional reforça o papel do terminal catarinense na cadeia logística regional. A rota regular para Miami é operada pela Bringer Air Cargo, com capacidade de até 50 toneladas por voo, e a base reúne ainda quatro frequências semanais vindas dos EUA (operadas por Avianca/Tampa e Latam) e seis voos da Europa (Cargolux, Lufthansa e Latam). Cerca de 80% das importações de Santa Catarina concentram-se num raio de até 1h30 do aeroporto, segundo dados de operação.
A expansão não se limita a Navegantes: seis das novas rotas foram desenhadas para o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, o maior do Sul e o quinto em movimentação de cargas do país. Outros terminais sob gestão da Motiva, como São Luís e Joinville, também têm operações dedicadas ao transporte de mercadorias, ampliando a capilaridade da malha.
Em Goiânia, a companhia opera o Terminal de Cargas Farmacêuticas — único 100% refrigerado do Brasil destinado a produtos farmacêuticos, químicos e hospitalares — com 2.133,31 m² de área construída e 1.531,8 m³ em câmaras frias. O espaço oferece controle de inventário, integração de sistemas e suporte técnico, e está em processo de obtenção da certificação CEIV da IATA, reconhecimento que pode ampliar a competitividade na logística de medicamentos.
Do ponto de vista comercial, a movimentação internacional e a busca por padrões como a CEIV consolidam uma fonte de receita relevante para a Motiva e reforçam hubs regionais que facilitam escoamento e insumos. Ao mesmo tempo, a estratégia exige manutenção de investimentos em infraestrutura, compliance e gestão de riscos ligados ao comércio exterior — variáveis que definirão se a expansão será sustentável e capaz de agregar valor real à economia regional.