Motoristas e entregadores por aplicativos realizaram na terça-feira (14) manifestações em ao menos quatro capitais — São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Natal — e organizaram carreatas em outros estados. A mobilização, que inclui a intenção de concentração em frente ao Congresso Nacional, é resposta ao PLP 152/2025, que busca regulamentar o trabalho por plataformas digitais.

Em São Paulo, a concentração começou na praça Charles Miller, em frente ao Pacaembu, com cerca de 1.500 participantes, segundo representantes da categoria. De lá, a carreata seguiu em direção à avenida Paulista. Pela manhã, um grupo de motoboys fechou parte da avenida Indianápolis, em frente à sede do partido Republicanos, e chegou a atear fogo em pneus, bloqueando faixas na região da 23 de Maio por curto período.

O ponto central do conflito é a taxa mínima de entrega: o texto em tramitação prevê R$ 8,50 por corrida/entrega, abaixo dos R$ 10 reivindicados pelos trabalhadores. A votação na comissão especial estava prevista para esta terça, mas foi adiada a pedido do governo. A Amobitec, que representa plataformas como Uber e iFood, diz identificar pontos a aprimorar no projeto — inclusive sobre a taxa mínima — e afirma estar disponível para contribuir com o debate, citando impacto sobre oferta, renda dos trabalhadores e acesso da população aos serviços.

Manifestantes relatam dificuldades diárias e perda de renda. Usuários também registraram demora por aplicativo na manhã de terça. Lideranças do movimento classificam o modelo das plataformas como precarizador e criticam dispositivos do PLP que, segundo eles, deixam lacunas sobre inclusão de faixas etárias e modalidades de entrega. O adiamento da votação, embora alivie a pressão imediata sobre o relator, acende alerta político: a rua reforça o custo político da proposta e aumenta a necessidade de ajustes para evitar desgaste em um debate sensível ao eleitorado.