Aliados próximos a Hugo Motta, presidente da Câmara, o aconselharam até poucas horas antes a suspender a votação para a vaga do Tribunal de Contas da União diante do risco de derrota. Motta, porém, insistiu em seguir com a eleição: o candidato apoiado por ele, o deputado Odair Cunha (PT-MG), saiu vitorioso com folga de 303 votos, tornando-se o primeiro indicativo do PT ao TCU desde a redemocratização. Em outras tentativas anteriores, representantes ligados ao partido foram derrotados, como José Pimentel (2005) e Paulo Delgado (2007).
No entorno de Motta, a vitória foi celebrada como uma recuperação de autoridade após um primeiro ano de mandato marcado por desgaste e críticas tanto do governo quanto da oposição. A capacidade de impor a votação e obter um resultado amplo é interpretada por aliados como um reforço do poder de barganha do presidente da Câmara no calendário político e nas negociações por cargos e pautas.
Do lado petista, a derrota de conselhos anteriores foi superada por uma articulação que, segundo a liderança do partido na Câmara, envolveu conversas com bancadas de várias legendas e acordos costurados nos dias que antecederam o pleito. Odair Cunha agradeceu publicamente o apoio e foi até o novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, para cumprimentá‑lo pessoalmente durante a comemoração após a eleição.
O desfecho tem implicações práticas: além de colocar um aliado do PT no TCU, o resultado reconfigura o tabuleiro de poder em Brasília ao dar a Motta mais margem para buscar apoios e consolidar alianças. Para efeitos eleitorais, interlocutores avaliam que o episódio pode credenciar o presidente da Câmara a pleitear apoio do PT numa eventual disputa interna para 2027, ainda que essa hipótese dependa de reciprocidades políticas e do contexto futuro das negociações.