O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) recebeu pela primeira vez na sexta-feira (17) o ministro da AGU, Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal. Mourão afirmou que um “sem número” de pessoas — de ministros do STF e do STJ a integrantes das Forças Armadas — pediram que ele conversasse com o indicado, e que acabou atendendo ao apelo de alguém a quem chamou de “muito querida”.

Segundo o senador, a conversa foi cordial, mas não alterou sua posição: ele manterá o voto contrário à indicação. Mourão disse ter tratado da “crise institucional” e criticou o que vê como desprezo ao devido processo legal, além de abordar as condenações relativas aos atos de 8 de Janeiro, citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, o general Walter Braga Netto e um empresário acusado de financiar deslocamento de manifestantes; Messias, diz, ouviu as manifestações.

O encontro soma-se a outros contatos buscados pelo AGU — Messias também se reuniu com o senador Eduardo Girão — na tentativa de convencer parlamentares antes da sabatina marcada para o dia 28, mais de seis meses após a indicação para a vaga aberta por Luís Roberto Barroso. Fontes governistas afirmam estar confiantes de que o indicado já conta hoje com mais do que os 41 votos necessários.

A negativa pública de Mourão expõe a fragilidade política que cerca a tramitação da indicação: a agenda de conversas mostra esforço de articulação, mas a manutenção de votos contrários por atores relevantes revela que o governo ainda precisa costurar apoio e enfrentar resistências que podem complicar a aprovação e ampliar o custo político da nomeação.