Aos 29 anos, a extensionista de cílios Assíria Macêdo tornou público o efeito devastador do vício em apostas on-line: a perda de patrimônio, endividamento de cerca de R$ 50 mil, o fim do casamento e um quadro de saúde mental fragilizado. O depoimento, amplificado nas redes sociais, funciona como alerta sobre um problema que combina promessa de ganho fácil e alto risco social.
O histórico descrito por Assíria mostra a progressão clássica da dependência: ganhos iniciais que reforçam o comportamento, seguidos por perda de controle e apostas com todo o dinheiro disponível. A escalada levou a dívidas com agiotas e à venda de bens pela família para tentar cobrir os prejuízos. Sem patrimônio, a família passou a morar de favor e vive da solidariedade de conhecidos.
Além do custo financeiro, as consequências pessoais são severas. O casal se separou depois que tentativas de ajuda não conseguiram frear a recaída. A jovem relata ansiedade intensa, insônia e incapacidade de trabalhar — perder a renda agrava ainda mais a situação e empurra a família para campanhas de arrecadação na internet. Há menção a momentos extremos, incluindo tentativa de suicídio.
No campo institucional, o Sistema Único de Saúde ampliou recentemente o atendimento para problemas relacionados a jogos e apostas via aplicativo Meu SUS Digital. O serviço oferece triagem por autoteste, consultas por vídeo e encaminhamento automático para acompanhamento quando o risco é moderado ou grave. O ciclo pode incluir até 13 sessões e a capacidade inicial anunciada é de 600 atendimentos mensais.
O avanço do SUS é bem-vindo, mas a dimensão do problema e os relatos como o de Assíria expõem lacunas: a necessidade de ampliar alcance, integrar prevenção e fortalecer redes locais de apoio para evitar que famílias vendam patrimônio e que casos evoluam para crise psicológica e social. Enquanto isso, vítimas e parentes seguem buscando atendimento e ajuda emergencial.