Ex-ministras do governo Bolsonaro, as senadoras Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS) assumiram papel de destaque no universo conservador, com boa penetração no centro e na esquerda. Tereza, em particular, é cotada nos bastidores como opção de vice na eventual chapa de Flávio Bolsonaro, enquanto Michelle Bolsonaro segue peça relevante nas articulações do PL.
Apesar do protagonismo público, ambas criticam a forma como as mulheres são aproveitadas: são convocadas para mobilizar base e ocupar a vaga feminina na chapa, mas ficam à margem das decisões de bastidor. Segundo as senadoras, são informadas sobre as escolhas já tomadas — não parte das negociações onde se definem apoios e acordos.
O quadro tem implicações políticas concretas. A instrumentalização da liderança feminina pode gerar fricção interna, reduzir coesão partidária e limitar a capacidade de costura necessária rumo a 2026. A disputa familiar em torno do apoio de Michelle ao clã Bolsonaro e a segmentação das decisões aumentam o risco de desgaste público e de ruídos na coordenação eleitoral.
A mensagem das senadoras combina alerta e exigência: o crescimento do eleitorado conservador feminino torna contraproducente mantê-las fora dos conchavos. Se os partidos não incorporarem as líderes femininas nas decisões estratégicas, correm o risco de perder legitimidade junto ao eleitorado que elas ajudam a mobilizar — e de ver sua capacidade de articular alianças seriamente comprometida.