O conjunto dos sete reservatórios que abastecem a Grande São Paulo caiu para 55,3% do volume total nesta quinta-feira (23), numa trajetória de retração iniciada em 8 de abril, quando o SIM marcava 56,5%. Nos últimos dez dias a redução mais intensa foi de um ponto percentual (de 56,3% para 55,3%). O Cantareira, responsável por quase metade do suprimento regional, está em 43,1% e teve perda de 0,6 ponto percentual na última década de dias.

A principal razão é meteorológica: abril registrou apenas 35,8 mm na área do Cantareira, menos da metade da média histórica de 78,4 mm. Um sistema de alta pressão mantém dias secos e ensolarados até o fim de semana, e o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas prevê retorno de chuvas a partir do começo da próxima semana, porém sem volumes suficientes para recuperar rapidamente os mananciais.

Na ponta operacional, agentes estaduais e a Sabesp mantêm medidas de gestão: desde agosto passado a Arsesp determina redução da pressão da água entre 19h e 5h e o Cantareira opera na faixa 2 — Atenção — desde 1º de abril. Nessa faixa a retirada autorizada subiu para até 31 m³/s, e foi prevista a eventual transposição de vazões do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari para reforçar o nível.

As obras realizadas após a crise de 2014–2015 — integração entre sistemas, modernização de redes e combate a perdas — ampliaram a resiliência, mas não eliminaram a vulnerabilidade diante de meses secos. A concentração de população atendida (cerca de 9 milhões pela bacia do Cantareira) e a ligação com outras bacias aumentam o impacto potencial de nova queda sustentada nos níveis.

Para além do apelo ao uso consciente, o recuo recente dos níveis é sinal de que a recuperação depende de chuvas mais expressivas e contínuas. Se o cenário meteorológico permanecer desfavorável, as autoridades terão menos margem para manobra e a pressão por restrições adicionais ou por ajustes operacionais deve aumentar, com consequências diretas para consumidores e para a gestão hídrica da região.