As regras revisadas do Minha Casa, Minha Vida começam a valer no fim do mês e ampliam o universo de beneficiários ao elevar o teto de renda bruta familiar para R$13 mil. A mudança amplia o leque de imóveis financiáveis — de apartamentos compactos nas faixas mais baixas a unidades de dois ou três quartos nas faixas superiores — e, segundo a Abrainc, coloca cerca de 6,4 milhões de famílias como público potencial.

O programa passa a considerar a soma da renda bruta de todas as pessoas que vão compor o financiamento (salários formais, trabalho autônomo, aposentadorias e pensões) para definir a faixa. As quatro faixas agora têm taxas significativamente inferiores às do mercado: na faixa 1, entre 4% e 4,5% ao ano; faixa 2, 4,75% a 5,5%; faixa 3, 6,5% a 7,66%; e faixa 4, perto de 10% ao ano — valores que mantêm o MCMV como alternativa mais barata ao financiamento tradicional.

O setor imobiliário já reage: lançamentos do MCMV cresceram 38% em 2025, acima dos 31% do mercado total, e grandes incorporadoras reorientaram ofertas para os novos tetos de R$400 mil e R$600 mil. Em São Paulo, programas complementares municipal e estadual impulsionaram a venda de 93 mil unidades em 2025, alta de 79% em relação a 2024. A Abrainc destaca maior previsibilidade para investimentos; a construção prevê criar 123 mil empregos em 2026.

A expansão tem efeitos claros: amplia o acesso da classe média afetada por juros altos e abastece o pipeline de vendas e empregos. Por outro lado, levanta dúvidas legítimas sobre o impacto fiscal e sobre a necessidade de fiscalização da qualidade das unidades entregues. A Caixa, principal operadora, já está apta para as novas regras desde 1º de abril de 2026; resta acompanhar execução e custos para entender até onde a medida entregará resultados duradouros.