O Executivo do prefeito Ricardo Nunes não enviou, até agora, nenhum projeto de lei à Câmara Municipal de São Paulo. A primeira proposta esperada é a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), cujo envio só deve ocorrer a partir de 15 de abril, prazo informado por interlocutores da administração. Em anos anteriores, o pacote inicial costumava chegar já no início de fevereiro, o que torna o atraso notório.
Vereadores da base governista dizem ver na demora falta de agenda e dificuldades de articulação num ano eleitoral: cerca de 15 dos 55 parlamentares devem disputar cargos em outubro. Nomes como Ana Carolina Oliveira, Lucas Pavanato e Zoe Martínez constam entre os que se articulam para a disputa, circunstância que contribui para um esvaziamento do ritmo legislativo e para que a Câmara funcione em regime de expectativa.
A prefeitura tem defendido que muitas medidas administrativas são adotadas por decretos e que o envio de propostas ao Legislativo ocorre conforme as necessidades da gestão, sem um calendário fixo. O alvoroço político levou também à troca na Secretaria da Casa Civil: Enrico Misasi deixou a pasta para concorrer e foi substituído por Paulo Frange, até então suplente na Câmara.
O quadro traz consequências concretas: atrasos na apresentação da LDO reduzem o tempo para o debate orçamentário e para a fiscalização das prioridades públicas, enquanto o uso intensivo de decretos desloca decisões importantes para o Executivo, com menos transparência. A seis meses das eleições, a opção por postergar pautas sensíveis acende alerta político e amplia o desgaste sobre a administração, que precisa recuperar agenda e convencer aliados sem comprometer a execução e a previsibilidade das políticas municipais.