As alergias sazonais se manifestam de forma conhecida: olhos lacrimejantes, dor nos seios da face e um nariz que alterna entre escorrimento e entupimento. O responsável não é um único agente, mas o pólen — que varia por estação: árvores na primavera, gramíneas no verão e ervas daninhas no outono — e atinge cerca de um quarto dos adultos em estudos norte-americanos.
A crise muitas vezes parece súbita, mas costuma ser o produto de um processo chamado sensibilização. O sistema imunológico passa a reconhecer partículas de pólen como ameaça após exposições repetidas — ou mesmo após um episódio intenso — e prepara respostas mais fortes em contatos futuros. Mudar de região também pode levar à descoberta de novos tipos de pólen e ao surgimento de sintomas.
A reação tem duas fases. No primeiro momento há liberação de histamina e outros mediadores que provocam espirros, coceira e produção de muco. Horas depois, glóbulos brancos como os eosinófilos chegam e sustentam a inflamação, mantendo tecidos inchados e secreções. Essa inflamação prolongada prejudica o sono e, por consequência, causa cansaço e comprometimento da atenção e da memória em parte dos pacientes.
Felizmente, há intervenções eficazes: anti-histamínicos bloqueiam a ação da histamina e aliviam os sintomas imediatos; sprays nasais com corticoide reduzem a resposta inflamatória e a congestão; lavagens nasais com solução salina ajudam a eliminar pólen e irritantes, sem alterar diretamente a resposta imunológica. Em casos persistentes, é recomendável buscar avaliação médica para diagnóstico preciso e orientação de tratamento.