O país vive um quadro de extremos climáticos: o domingo (27/9) registrou calor intenso em várias capitais — Belo Horizonte atingiu 35,6°C, Cuiabá e Goiânia 37°C, e Brasília 33°C — e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) manteve alerta vermelho para oito estados. A tendência é de intensidade ainda maior nos próximos dias, com possibilidade de termômetros acima de 40°C em áreas do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste até quarta-feira.

As maiores temperaturas devem se concentrar em trechos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Piauí, Bahia, São Paulo e Minas Gerais, incluindo pontos como o leste de Mato Grosso e o noroeste paulista. Em paralelo, um relatório do Climate Impact Lab aponta que o Brasil pode registrar cerca de 13,3 mil mortes associadas aos efeitos do atual episódio de El Niño até fevereiro de 2027 — cenário que os autores dizem poder ser atenuado com medidas direcionadas de prevenção.

No Sul, o contraste veio em forma de tempestades: municípios do Rio Grande do Sul enfrentaram temporais com granizo que afetaram cerca de 6,3 mil pessoas, segundo a Defesa Civil estadual, e imagens mostraram pedras de gelo em localidades como Santiago. A instabilidade é atribuída a uma área de baixa pressão entre o norte da Argentina e o Paraguai, que facilita a entrada de ar quente e úmido e eleva a chance de novos episódios severos.

Especialistas alertam para diferentes vulnerabilidades regionais: enquanto Sul e parte do Sudeste ficam mais expostos a chuvas intensas, Norte e Nordeste podem sofrer com queda nas precipitações, o que impacta transporte fluvial e abastecimento local. Há ainda um componente institucional: pesquisadores ressaltam que parte das mortes projetadas pode ser evitada com políticas antecipadas — desde avisos precoces e centros de resfriamento até ações para proteger cadeias de abastecimento — e que a resposta reativa do país tende a agravar os custos humanos e econômicos.