O OnlyFans está próximo de concluir a venda de uma participação minoritária — inferior a 20% — à Architect Capital, em negócio que atribuiria à plataforma uma avaliação superior a US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões). A operação ocorre semanas após a morte do fundador Leonid Radvinsky, e deve ser anunciada já no mês que vem, segundo pessoas a par das negociações.
A oferta preserva o controle nas mãos do fundo fiduciário familiar que herdou as ações de Radvinsky e é chefiado por sua viúva, Katie. A decisão de ceder apenas uma fatia reduz o preço esperado em relação às metas anteriores — a empresa buscava avaliação acima de US$ 5 bilhões e chegou a considerar a venda de parcela majoritária — mas mantém a gestão distante de um investidor controlador externo.
Tecnicamente saudável e altamente lucrativa, a plataforma tem gerado receitas volumosas: no ano passado foram registrados US$ 7,2 bilhões movimentados por assinaturas e a empresa distribuiu US$ 701 milhões em dividendos. Ainda assim, a operação expõe fragilidades típicas de negócios centrados em um fundador, particularmente em aspectos de sucessão, governança e estratégia de crescimento.
Como parte do acordo, o OnlyFans trabalhará com a Architect no desenvolvimento de serviços financeiros e produtos direcionados aos criadores, segmento que frequentemente encontra barreiras de acesso a bancos tradicionais. A Architect financiou a compra por meio de um veículo específico, com apoio de outros investidores, e o negócio também abre a porta para futuras vendas de participação.
Do ponto de vista do mercado, a transação tem efeitos claros: oferece liquidez e uma almofada de estabilidade para a operação imediatamente após a morte do dono, mas reduz o potencial de valorização imediata ao evitar a transferência de controle. Investidores e criadores aguardam agora a consolidação das promessas de novos produtos e sinais concretos sobre a governança que passará a reger um dos maiores ativos do entretenimento adulto online.