A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a Operação Narco Fluxo, que investiga um esquema suspeito de movimentar cerca de R$ 1,63 bilhão. Foram cumpridos 39 mandados de prisão, além de buscas, apreensões e bloqueio de bens. Entre os detidos estão nomes conhecidos do funk e do universo digital, incluindo MC Ryan, MC Poze e o responsável pela página Choquei.
Segundo as apurações, o grupo teria misturado atividades artísticas com operações financeiras destinadas a ocultar a origem de recursos. As práticas apontadas pela investigação incluem transferências fracionadas, uso de empresas de fachada e envio de valores para o exterior via criptoativos. Parte dos recursos teria origem em apostas não regulamentadas, rifas digitais e fraudes online.
As medidas cautelares têm caráter temporário, com prazo inicial de 30 dias, e os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Defesas dos presos afirmaram não ter tido acesso integral aos autos; o advogado de MC Ryan disse que todos os valores do artista teriam origem comprovada, e a defesa de MC Poze afirmou desconhecer o teor do mandado.
Além do desdobramento criminal, a operação levanta questões institucionais e econômicas: revela fragilidades na fiscalização de apostas e criptoativos, aponta o uso das redes sociais para amplificar esquemas e deverá pressionar plataformas e órgãos reguladores a aprimorar controles. Para o setor de entretenimento, há risco real de prejuízo reputacional e necessidade de maior transparência nas contas e contratos.