Cerca de 200 pessoas que subiram ao Morro Dois Irmãos para ver o nascer do sol ficaram impedidas de descer na manhã de 20, depois que uma operação da Polícia Civil no Vidigal desencadeou intenso tiroteio. O grupo só conseguiu deixar a trilha por volta das 7h20, acompanhado por escolta policial.

A ação, com agentes da CORE e coordenada pela promotoria da Bahia, tinha como objetivo cumprir mandados contra lideranças do Comando Vermelho ligadas a ações na Bahia. O principal alvo, identificado como Edinaldo Pereira Souza — o Dada —, que havia fugido de um presídio na Bahia em 2024, conseguiu escapar por uma passagem secreta; a esposa foi presa sob suspeita de lavagem de dinheiro e outro procurado também fugiu. Durante o confronto criminosos bloquearam a avenida Niemeyer com um ônibus e contêineres; a via só foi liberada por volta das 6h50 com escolta da polícia militar. Vídeos nas redes mostraram helicópteros em voos baixos e moradores relataram momentos de medo.

Turistas que subiram a trilha relataram ter ouvido tiros já nos primeiros minutos de subida; alguns optaram por seguir até o topo para se proteger. Organizações locais como a Favela Turismo intermediaram a comunicação entre guias, comércio e Secretaria de Turismo, e destacaram a importância de monitores locais para controlar grupos e reduzir riscos durante ocorrências policiais.

O episódio expõe um dilema recorrente: mesmo após a pacificação com UPP em 2012, que impulsionou o turismo no Vidigal e valorizou imóveis, a presença de facções e operações de alto risco continua a ameaçar visitantes e a atividade econômica local. Além do impacto imediato no fluxo turístico, a cena reforça a necessidade de coordenação prévia entre instituições de segurança, gestão do turismo e comunidade para minimizar riscos e evitar danos à imagem da cidade.