A Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, formada exclusivamente por 52 meninas e mulheres entre 13 e 21 anos e oriundas de escolas públicas do Rio de Janeiro, embarca para uma turnê na Itália que inclui apresentação na Praça São Pedro. Criada em 2021 com o objetivo de ampliar a representatividade feminina na música erudita, a orquestra soma formação técnica e propósito social ao levar estudantes a palcos internacionais.
A diretora executiva e pianista Moana Martins definiu a escolha do nome como uma ligação simbólica à maestrina e ativista Chiquinha Gonzaga, referência de autonomia feminina na música brasileira. O projeto completa cinco anos em 2026 e funciona como via de acesso para talentos de periferia: a flautista Nathaly Joyce, 21 anos, de Tomás Coelho, conta que entrou por audição e já planeja carreira acadêmica e profissional na música.
A agenda da turnê, prevista entre os dias 23 e 1º de maio, inclui intercâmbios acadêmicos com a Sapienza Università di Roma e a Accademia di Santa Cecilia, apresentações no Cinema Troisi e um concerto de encerramento na Embaixada do Brasil em Roma. No dia 29, as musicistas têm audiência prevista com o papa na Praça São Pedro. O repertório mistura clássicos brasileiros e contemporâneos, com participação especial da cantora Flor Gil e obra inédita da compositora Ágatha Lima, selecionada em chamada pública.
O deslocamento das jovens para palcos europeus reforça o potencial da formação musical pública como instrumento de diplomacia cultural e mobilidade social. Ao mesmo tempo, a ausência da regente titular Priscila Bomfim na viagem expõe desafios de logística e sustentabilidade para projetos que buscam continuidade e escala. A turnê oferece visibilidade inédita às musicistas — e aponta para ganhos concretos, se houver manutenção de suporte institucional e políticas que ampliem iniciativas similares.