Um homem de 63 anos em Oslo deixou de apresentar sinais detectáveis de HIV após receber, em 2017, um transplante de medula óssea do irmão para tratar um câncer no sangue. O caso, relatado em artigo na Nature Microbiology, soma-se a uma dezena de relatos em que pacientes submetidos a transplantes agressivos alcançaram remissão do vírus causador da Aids.
O diferencial neste episódio foi a descoberta de que o doador — o irmão do paciente — tinha a mutação no gene CCR5, uma alteração genética rara na região que reduz a capacidade do HIV de infectar células. Segundo os autores do estudo, essa coincidência aumentou significativamente as chances de eliminar o reservatório viral no receptor.
Dois anos após o procedimento, o paciente interrompeu os antirretrovirais e passou a não apresentar o vírus em exames — e, conforme os médicos, está em boa condição clínica. Ainda assim, especialistas apontam que o transplante de medula é um tratamento de altíssimo risco, indicado apenas para casos oncológicos sem outra opção curativa.
A notícia é relevante para a pesquisa sobre cura do HIV, mas evidencia também limites práticos: raridade da mutação CCR5 entre potenciais doadores, perigos do procedimento e custos médicos elevados. Trata-se de um avanço científico importante, porém distante de ser um modelo viável para os milhões que vivem com HIV.