Paulo Henrique Costa, que comandou o Banco de Brasília de janeiro de 2019 a novembro de 2025, foi preso nesta quinta-feira em mais uma fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal acusa o ex-presidente de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em investigação sobre a compra de carteiras do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Segundo a apuração, Costa teria ocultado seis imóveis — quatro em São Paulo e dois em Brasília — avaliados em mais de R$ 140 milhões, supostamente vinculados à aprovação de carteiras fraudulentas. As suspeitas elevam o nível de gravidade do caso e apontam para práticas que teriam comprometido a governança do BRB durante sua gestão.
Em depoimento à PF, no fim de dezembro, Costa afirmou que acreditava que as carteiras compradas do Master tinham origem no próprio banco de Vorcaro, e disse ter sido informado sobre novo formato de comercialização. As investigações, porém, identificaram que os empréstimos fictícios foram originados por uma consultoria chamada Tirreno.
Para remediar a compra de créditos inexistentes, Master e BRB fizeram uma ampla troca de ativos: dos R$ 12,7 bilhões negociados, cerca de R$ 10,2 bilhões teriam sido substituídos por outros créditos. Costa já negou irregularidades durante o andamento das apurações; sua defesa foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre a prisão.
A detenção do ex-presidente expõe um custo político direto para o governo do Distrito Federal, que o indicou para o cargo, e aumenta a pressão sobre a administração do banco público. Além do risco judicial, o caso acende um alerta sobre controles internos e provoca desgaste institucional que exigirá respostas objetivas das autoridades e dos órgãos de fiscalização.