Os Correios registraram 3.181 adesões ao programa de demissão voluntária (PDV) aberto como parte do plano de recuperação financeira da estatal — equivalente a 32% da meta inicial de 10 mil adesões. A meta visava reduzir cerca de 12,7% do quadro atual, que soma 78,9 mil empregados. A empresa diz ainda esperar mais 5.000 desligamentos em 2027, mas admite que será necessário lançar novo PDV no final deste ano ou no início do próximo para alcançar o objetivo.

O resultado parcial reduz o ganho imediato projetado pela diretoria. A companhia estimou economia líquida de R$ 1,4 bilhão em 2027 decorrente do PDV; neste ano o impacto seria nulo em função dos pagamentos de incentivos, e a adesão alcançada deve gerar pouco mais de R$ 500 milhões — cerca de um terço do previsto. Para compensar a folga, a direção já anuncia outras medidas, como a redução do pagamento de horas extras condicionada a exigência mínima de produtividade e ajustes internos de gestão.

O PDV é um dos pilares que sustentaram a operação de crédito de R$ 12 bilhões obtida junto a um sindicato dos cinco maiores bancos, com garantia da União. Esse arranjo expõe o Tesouro Nacional e o Ministério da Fazenda a risco e a escrutínio de órgãos de controle caso o plano de recuperação não se confirme. Há ainda um alívio contábil imediato com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que suspendeu cláusulas do acordo coletivo consideradas mais benéficas que a CLT — entre elas gratificação de férias a 70% e adicional de hora tripla em feriados — podendo gerar cerca de R$ 500 milhões já neste ano.

A combinação de adesão aquém do esperado, necessidade de novo PDV e medidas emergenciais revela um plano de ajuste ainda frágil. Politicamente, a dependência de garantias da União e a expectativa de economia via decisões judiciais aumentam a exposição do governo a questionamentos caso os números não se confirmem. Para os Correios, a alternativa será ampliar cortes, negociar novo PDV ou buscar outras fontes de receita — todas medidas que têm impacto direto sobre serviço, imagem institucional e custo político para os responsáveis pela operação.