Um novo estudo publicado na revista Science, coordenado por Nicholas Payne, do Trinity College Dublin, dá sinais de alerta para espécies marinhas de grande porte que desenvolveram metabolismo intermediário — os chamados peixes mesotérmicos. Entre eles estão atuns e alguns grandes tubarões, capazes de manter temperatura corporal mais elevada que a da água. Os autores combinaram dados de taxa metabólica com medições em campo para modelar como esses animais lidam com calor interno e externo.
Os cientistas identificaram que a estratégia mesotérmica, embora ofereça vantagem predatória — maior velocidade e capacidade de caça —, tem custo energético substancial. Segundo o trabalho, esse custo pode ser até quase quatro vezes superior ao observado em peixes endotérmicos. Além disso, quanto maior o animal, menor a capacidade de dissipar calor: a relação entre tamanho e troca térmica favorece o acúmulo de calor em peixes maiores, reduzindo a margem de segurança em águas quentes.
Com o aumento da temperatura média dos oceanos, a capacidade dessas espécies de perder calor fica ainda mais comprometida. O estudo monitora, por exemplo, o tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus), que pode chegar a 3,5 toneladas, usando sensores de temperatura corporal e ambiental. O modelo resultante indica que, diante de águas mais quentes, esses peixes terão que restringir atividade, buscar águas mais frias — recursos limitados globalmente — ou enfrentar risco de superaquecimento, com efeitos negativos sobre sobrevivência e reprodução.
As implicações são amplas: além do impacto direto sobre populações de predadores de grande porte, há potenciais repercussões ecológicas e econômicas, incluindo alterações nas cadeias alimentares e pressões sobre pescarias que dependem dessas espécies. A pesquisa reforça a urgência de políticas de mitigação climática e de gestão pesqueira adaptativa; sem ações, parte da biodiversidade marinha que sustenta ecossistemas e comunidades costeiras pode ficar sem margem de manobra.