Uma pesquisa realizada pela Quaest em parceria com o Instituto Vida Livre aponta que 92% dos brasileiros consideram importante ou muito importante preservar a fauna silvestre, e 68% defendem que o tema seja uma prioridade do governo. O levantamento ouviu mais de 2 mil pessoas a partir de 16 anos, com amostragem nacional, margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Os números configuram um retrato de forte sensibilidade pública sobre a proteção animal que, se ignorado, pode gerar desgaste político para autoridades e partidos.

O estudo detalha apoio a medidas concretas: 83% dos entrevistados são favoráveis a penas mais duras contra a caça, 88% apoiam leis de incentivo fiscal para empresas que financiam projetos de preservação e 76% dizem ter maior propensão a comprar de marcas que apoiam a causa. Há também sinais de engajamento cultural: 59% consomem conteúdos sobre animais com frequência e 93% acreditam que pequenas atitudes individuais fazem diferença. No front doméstico, 75% dos lares têm animais, e 42% apontam o cachorro como o animal mais representativo do país.

Ao mesmo tempo, o levantamento expõe lacunas relevantes no conhecimento: 15% dos entrevistados acreditam que o leão é uma espécie silvestre nativa do Brasil. Esse dado indica fragilidades no esforço educativo sobre biodiversidade e torna menos eficiente qualquer política pública que não inclua componente informativo. Marina Siqueira, diretora de Sustentabilidade e Riscos da Quaest, resume o dilema: existe atenção e empatia prontos para serem canalizados, mas falta transformar esse interesse em mobilização efetiva e em políticas públicas claras.

Politicamente, a pesquisa acende alerta para o governo e abre espaço para que a oposição cobre agenda concreta — da fiscalização e endurecimento de penas à criação de incentivos fiscais e campanhas educativas. O apoio popular a mecanismos de mercado (incentivos fiscais, preferência por marcas) sinaliza que políticas híbridas, combinando regulação e estímulos ao setor privado, podem ter apelo social. Em suma, os números oferecem ao poder público uma oportunidade: alinhar discurso e ações antes que a questão se torne fator de custo político nas próximas disputas eleitorais. Trata‑se, porém, de um retrato do momento, não de uma previsão.