A nova rodada de pesquisas encomendada pelo Banco Genial ao instituto Quaest coloca o Sudeste no centro de uma disputa que pode decidir a corrida de 2026. As entrevistas, realizadas entre 21 e 28 de julho com 11.646 eleitores em dez estados —que correspondem a cerca de 75% do eleitorado nacional— mostram cenários apertados, com empates técnicos e palanques estaduais embaralhados. A margem de erro é de três pontos, exceto em São Paulo, onde é de dois, e o nível de confiança é de 95%.

Em Minas Gerais, o levantamento registra Lula com 30% e Flávio Bolsonaro com 29% no primeiro turno; no segundo turno, 38% a 35% a favor do petista —uma diferença dentro da margem que indica empate técnico. O quadro local segue incerto: Patrus Ananias (PT) confirmou candidatura ao governo em chapa de apoio a Lula, mas a liderança nas intenções para o Palácio da Liberdade é de Cleitinho Azevedo (Republicanos), cuja postulação foi publicamente colocada em dúvida pelo próprio partido.

No Rio de Janeiro, Flávio aparece numericamente à frente (32% a 30% no primeiro turno; 38% a 35% no segundo), mas a disputa também é técnica. O estado é singular entre os pesquisados por ter um aliado de Lula isoladamente à frente para o governo: o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). Do lado bolsonarista, o PL tem Douglas Ruas como candidato ao governo, aparecendo empatado com nomes do Republicanos como Anthony Garotinho.

São Paulo traz outra complicação para o planalto: Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera a corrida pelo governo paulista com 34% contra 30% de Fernando Haddad (PT), e Flávio avança em cenário de segundo turno (40% a 35%). A perspectiva de uma definição já no primeiro turno em São Paulo, conforme reportou a coluna do Painel, acende alerta no PT por potencialmente deixar Lula sem palanque no maior colégio eleitoral do país —uma consequência política concreta e de alto impacto estratégico.

Fora do Sudeste, o levantamento registra lideranças regionais que reforçam o quadro fragmentado: Sergio Moro (PL) lidera no Paraná; e, em blocos do Norte e Nordeste, Lula aparece à frente em cenários de segundo turno (Bahia, Ceará, Pará e Pernambuco). No conjunto, a pesquisa acende um sinal de alerta para ambos os lados: para o governo, a falta de palanques firmes e empates no Sudeste complicam a narrativa de força; para a oposição bolsonarista, a dispersão de candidatos e incertezas internas —como em Minas— podem limitar a consolidação do projeto nacional. Os números deste levantamento são um retrato do momento, não uma previsão, mas já implicam necessidade de ajuste de estratégias eleitorais e amplificam a pressão sobre coordenações partidárias.