Levantamento da Quaest divulgado nesta segunda-feira confirma a liderança de Eduardo Paes (PSD) na corrida pelo governo do Rio de Janeiro, com 34% das intenções de voto em cenário que inclui Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos). A pesquisa, com 1.200 entrevistas e margem de erro de três pontos percentuais, também revela um quadro relevante de indecisão: brancos, nulos e indecisos somam cerca de 40% do eleitorado, o que preserva um grau de volatilidade significativo mesmo diante da vantagem numérica do ex-prefeito.
No confronto entre Ruas e Garotinho, os dois aparecem tecnicamente empatados — 9% e 8%, respectivamente — enquanto Wilson Witzel marca 3%. Em um cenário sem a presença de Garotinho, Paes sobe para 40%, o que indica que a ausência do ex-governador deslocaria parte do eleitorado conservador em direção ao candidato de centro-direita. No possível segundo turno entre Paes e Ruas, o primeiro chega a 49% contra 16% do presidente da Alerj, um recorte que reforça a liderança confortável de Paes, mas que não elimina a necessidade de consolidação do voto.
Além das intenções, a pesquisa traz sinais políticos com consequências práticas. A avaliação do governo de Cláudio Castro aparece negativa entre 47% dos entrevistados e aprovada por 35%, mas Castro lidera a disputa ao Senado com 12% — um desenho que separa a percepção do governo da capacidade eleitoral pessoal ou de máquina política. O cenário estadual também permanece marcado por uma crise institucional: renúncia e cassação do ex-governador, dupla vacância no Executivo e a intervenção do STF que impediu a assunção de Douglas Ruas ao Palácio Guanabara, fatores que complicam calendários e narrativas eleitorais.
Para a oposição e para o próprio campo governista, os números acendem alertas distintos. Para Paes, a vantagem é clara, mas a dependência de transferências de voto e a alta taxa de indecisos impõem a necessidade de ampliar presença e converter rejeição em mobilização; para Ruas e aliados, a fragmentação e a interferência judicial na sucessão estadual reduzem espaço de manobra e exigem uma estratégia de agregação mais eficiente. Em resumo: o levantamento confirma liderança estável de Paes, mas mostra que a eleição continua aberta, sujeita a alianças, decisões judiciais e a capacidade dos candidatos de transformar indecisos em votos concretos.