Dois superpetroleiros do tipo VLCC e um Aframax —todos sem vínculos diretos com o Irã— iniciaram a aproximação ao estreito de Hormuz no sábado à noite e, já neste domingo (12), efetuaram retornos de última hora, segundo dados de rastreamento de embarcações. As mudanças de rota ocorreram justamente quando negociadores em Islamabad anunciaram o fracasso das conversas entre Estados Unidos e Irã, que vinham tentando costurar um cessar‑fogo na região.
Os navios Agios Fanourios I (com destino ao Iraque) e o Shalamar (bandeira paquistanesa, rumo à ilha de Das, nos Emirados) foram os que abortaram a travessia perto das ilhas de Larak e Qeshm. Outro VLCC, o Mombasa B, seguiu e passou entre Larak e Qeshm por uma rota aprovada pelo Irã; já o Khairpur registrou duas mudanças de curso antes de retomar a entrada pelo corredor iraniano. Empresas responsáveis, como a Eastern Mediterranean Maritime e a Pakistan National Shipping Corp., não retornaram pedidos de comentário fora do horário comercial.
O estreito de Hormuz é uma das artérias mais sensíveis do comércio energético mundial. Desde que ataques de EUA e Israel contra o Irã se intensificaram, há seis semanas, a passagem tem vivido um fechamento de facto que provocou interrupção de abastecimento sem precedentes. A reabertura era um ponto central nas negociações do fim de semana, mas permanece uma área de desacordo entre as partes, e a sucessão de tentativas abortadas evidencia riscos operacionais elevados.
A sequência de retornos —sem explicações públicas claras para as decisões tomadas a bordo— traduz uma situação em que fatores políticos e de segurança impõem custo direto ao transporte marítimo e ao mercado de petróleo. Para armadores e consumidores, o recuo reforça a incerteza sobre prazos de normalização e amplia a volatilidade dos fluxos no golfo Pérsico, deixando claro que a estabilidade da rota depende tanto de um desfecho diplomático quanto de garantias práticas para quem navega.