O anúncio iraniano de reabertura do estreito de Hormuz reduziu imediatamente o prêmio de risco nas cotações do petróleo, mas dificilmente encerra a volatilidade. A via concentra cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito, e a declaração de Teerã inclui condições que dependem de autorizações e coordenação com a Guarda Revolucionária.

Os mercados reagiram com alívio temporário: o barril chegou a ceder até a casa dos US$ 86, enquanto o Brent com vencimento em junho fechou a US$ 90,38, menor nível desde 10 de março, com queda de 9,07% na sessão. Apesar do recuo, analistas alertam que a normalização do fluxo é incerta e que as cotações poderão permanecer voláteis por semanas ou meses.

Especialistas e operadores marítimos citam entraves práticos: permissões condicionais do Irã, possíveis taxas, e a manutenção do bloqueio imposto pelos EUA. Seguradoras e armadores podem hesitar em retomar rotas enquanto o ambiente jurídico e de segurança não for claro — postura já manifestada por empresas como a Hapag-Lloyd. Estudos de mercado indicam que, mesmo com uma reabertura formal, o tráfego tende a subir de forma gradual.

Dados de empresas do setor mostram sinais contraditórios: três petroleiros ligados ao Irã deixaram o Golfo Pérsico recentemente, mas a Kpler ainda contabiliza cerca de 900 navios retidos desde o início do conflito, e o tráfego antes da guerra era muito mais intenso. A queda das cotações já pressionou bolsas locais — a B3 recuou 0,55% — e mexeu com ativos sensíveis à commodity. No plano político e econômico, a situação mantém o risco de oscilações de preço que afetam inflação, conta de energia e estabilidade de empresas expostas ao setor.