A Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29), expôs movimentações atípicas que somam mais de R$ 32 milhões destinados a Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, procurador efetivo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso cedido ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). Segundo os autos, os pagamentos chegaram a 179 lançamentos e foram movimentados por 12 contas em nove instituições financeiras distintas.

A investigação aponta que boa parte dos recursos foi sacada em espécie — registros de câmeras de segurança constam nos relatórios — e que parte do esquema teria se valido da constituição de empresas em nomes de familiares e terceiros para ocultar valores. Uma das sociedades citadas é a Maia Reining Horses Ltda., criada em 22 de julho de 2025, cujo objeto declarado é a criação de cavalos e comercialização de sêmen e embriões; para os investigadores, a empresa teria servido para dissimular repasses.

A decisão do ministro Og Fernandes chamou atenção ao lembrar que Grhegory, na condição de consultor jurídico-geral do TCE-MT, atuou em ações no Supremo relacionadas a verbas indenizatórias pagas aos conselheiros — justamente o tipo de verba que o relatório aponta como fonte dos pagamentos. A origem da apuração foi uma denúncia anônima que relatou contradição entre a portaria de contenção de gastos editada pelo presidente do TCE em janeiro de 2024 e o aumento dos pagamentos mensais no período, de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões.

O material do Ministério Público Federal sugere ainda que empresas mantiveram compromisso de devolver parcelas aos integrantes do grupo ligado ao presidente do tribunal. A sequência de indícios — valores elevados, uso de múltiplas contas, empresas relacionadas a familiares e atuação técnica do beneficiário em processos sobre as mesmas verbas — reforça a suspeita de lavagem e de conflito entre prática e discurso de austeridade.

Politicamente, a investigação amplia desgaste sobre o TCE-MT e impõe pressão por respostas imediatas da corte e do Legislativo local. Além do risco criminal para os envolvidos, o caso levanta dúvidas sobre controles internos, transparência e a capacidade das instituições de fiscalizar pagamentos a seus próprios agentes.