A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira a Operação Narcofluxo, voltada a desarticular um grupo investigado por movimentações financeiras ilícitas superiores a R$ 1,6 bilhão. A ação ocorre em ao menos nove unidades da federação, com foco no litoral de São Paulo e em estados como Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal. Entre os alvos estão influenciadores digitais e cantores conhecidos.

Segundo as autoridades, os investigados usaram um sistema para ocultar e mascarar o uso de grandes volumes de dinheiro. As estratégias apontadas na investigação incluem operações financeiras vultosas, transporte de numerário em espécie e transações envolvendo criptoativos, elementos que costumam dificultar o rastreamento e tornar mais complexa a fiscalização por órgãos financeiros.

A Justiça autorizou medidas para interromper a atividade apontada pelo inquérito: foram expedidos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária pela 5ª Vara Federal em Santos. Mais de 200 policiais federais participam da operação. Também houve determinação de sequestro de bens, constrição patrimonial e restrições societárias; os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O episódio ressalta vulnerabilidades na prevenção de lavagem envolvendo pessoas com visibilidade pública e instrumentos digitais como criptoativos. Além do impacto jurídico sobre os alvos, a operação tende a aumentar a pressão por maior fiscalização e controles sobre fluxos financeiros que circulam fora do sistema bancário formal. Em termos institucionais, a ação aponta para a necessidade de integração entre inteligência financeira e polícia judiciária para desarticular estruturas complexas de ocultação de patrimônio.