Relatórios da Polícia Federal anexados à Operação Narco Fluxo colocam o cantor Ryan Santana dos Santos —o MC Ryan— a uma conexão de distância de empresas que, segundo a investigação, operaram esquemas de fraudes e retenção de valores em plataformas de apostas. A PF descreve movimentações financeiras que ligam a YCFShop e a Golden Cat a intermediários que repassaram quantias milionárias para pessoas do entorno do artista.
O documento apresentado à Justiça menciona Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga ou Xandex, amigo de infância e assessor do funkeiro, como beneficiário de R$ 2,9 milhões em dois meses pagos pela YCFShop. Ainda de acordo com os autos, Belga transferiu R$ 2,6 milhões à empresa vinculada ao próprio artista, a MC Ryan SP Produção Artística, ao longo de seis meses em 2024. A YCFShop é apontada pela PF como responsável por golpes em usuários de jogos virtuais e já teve contas encerradas por instituições como Celcoin e Nubank.
Para os investigadores, a Golden Cat —empresa aberta por sócios chineses em 2023— aparece como o centro financeiro do grupo, com mais de R$ 1 bilhão de movimentações atribuídas a ela e responsável por cerca de 75% dos recursos rastreados no esquema. A PF interpreta processos judiciais que juntaram Golden Cat e YCFShop como indício de atuação conjunta das intermediadoras de pagamentos usadas pela chamada 'máfia das apostas'. Medidas cautelares incluem bloqueios de plataformas consideradas ilegais.
A defesa de MC Ryan e de seu assessor afirma que apresentará documentação que comprove a licitude das receitas. O advogado que atuou na audiência de custódia disse também que o artista já firmou um Acordo de Não Persecução Penal junto ao Ministério Público de São Paulo. Por outro lado, a investigação amplia o problema reputacional e jurídico em torno do artista: mesmo havendo apenas uma intermediação documentada entre as empresas e uma conta ligada ao cantor, a associação com um circuito que movimentou bilhões tende a exigir respostas claras e provas robustas para dissociar imagem pública de suspeitas graves.