A procuradora federal Jeanine Pirro anunciou que o Departamento de Justiça está encerrando a investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre os custos da reforma da sede da autarquia, e remeteu a apuração dos estouros orçamentários ao escritório do inspetor‑geral do Fed. A decisão remove um obstáculo que vinha travando a sabatina de Kevin Warsh, indicado por Donald Trump para liderar o banco central, mas não resolve todas as tensões políticas em torno do caso.

A investigação havia paralisado a confirmação de Warsh após promessa do senador republicano Thom Tillis de bloquear indicações ao Fed enquanto a apuração criminal não fosse encerrada. Além disso, um juiz federal já havia barrado intimações ao Conselho de Governadores ao concluir que elas teriam propósito indevido de pressionar Powell. Segundo reportagem do The New York Times, promotores admitiram não dispor de provas claras de crime contra o presidente do Fed.

Pirro disse que espera um relatório abrangente do inspetor‑geral e reservou a possibilidade de retomar medidas criminais dependendo das conclusões. Powell, por sua vez, condicionou a permanência no Conselho à conclusão transparente da apuração. No plano prático, a transferência para o inspetor‑geral tende a acelerar formalmente a tramitação e a reduzir o argumento usado por opositores de que a investigação criminal justificava o embargo às indicações presidenciais.

O episódio expõe o custo político e institucional de uma investigação tocada por figura alinhada ao Executivo: além de complicar a agenda de confirmações, alimentou acusações de politização do Departamento de Justiça e gerou apreensão sobre a independência do banco central. O relatório do inspetor‑geral será decisivo não apenas para Warsh, mas para a reputação das instituições encarregadas de zelar por separação entre política e política monetária.