O PL decidiu seguir com a admissibilidade da PEC que acaba com a escala 6x1, votada na CCJ, mas já sinaliza uma estratégia de apoio condicionado. A legenda pretende usar a tramitação na comissão especial para inserir um novo regime de contratação com jornada flexível e remuneração proporcional.

Na leitura do líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), o objetivo é transformar a votação em oportunidade para ajustar o texto: pagamento por hora, um escalonamento para reduzir a jornada de 44 para 40 horas ao longo de quatro anos e compensação financeira do governo às empresas impactadas.

A tática do PL tem clara dimensão eleitoral. Nos bastidores, dirigentes calculam que um voto abertamente contrário ao fim do 6x1 poderia ser explorado pelo PT contra a oposição e contra o pré-candidato Flávio Bolsonaro. Pesquisa Datafolha de março mostra que 71% da população apoia o fim da escala, questão sensível no debate público.

O gesto de apoio formal na CCJ não elimina a divergência com o governo: o Planalto rejeita a ideia de compensar empregadores e quer um prazo de transição mais curto. Como se trata de PEC, qualquer alteração aprovada no Congresso terá impacto direto na Constituição, o que amplia o risco político para todas as partes.

Se a articulação do PL prosperar, o resultado será um texto distinto daquele proposto pelo Executivo, com potencial para criar fricções na base aliada de Lula e servir de munição eleitoral à oposição. Se fracassar, o partido corre o risco de ficar acuado entre a defesa de uma bandeira popular e o custo de fugir da narrativa governista.